O verão se aproxima e as temperaturas altas da estação são um irresistível convite para um banho de piscina. Muitas vezes, nessas horas de prazer e descanso, uma ducha fria perto da área de lazer para refrescar o corpo é imprescindível. Aquela tradicional chuveirada rápida antes do mergulho também é importante para tirar o suor, limpar os pés e manter a qualidade da água da piscina. Criar uma área útil em casa não é difícil e a manutenção é pequena, mas alguns cuidados especiais precisam ser tomados.
 |
Para servir piscina e sauna
Instalada bem ao lado da piscina, na parede de tijolos aparentes, a ducha redonda (Deca) escolhida pela arquiteta Prudence Winardi tem a área protegida por um fechamento feito com bambu. Para o piso, a profissional especificou pastilhas brancas para diferenciar a área de banho em meio ao gramado. Plantadas ao lado da ducha, tumbérgias emprestam charme e delicadeza. A instalação também foi feita próximo à sauna, servindo também aos convidados que preferem relaxar longe da água. |
O primeiro ponto a ser observado é a localização da ducha, que deve ser de fácil acesso para os moradores e convidados no entorno da piscina. A arquiteta Flávia Ralston acredita que este espaço é mais bem utilizado quando está a poucos passos das bordas. "Procuro sempre instalar as duchas perto da piscina, o mais próximo possível, até por uma questão de higiene. As pessoas caminham pelo jardim, carregam sujeira e terra nos pés, mas querem entrar na água logo. Com a ducha por ali, é impossível não lembrar de tomar um banho antes", comenta.
Com a mesma cor da fachada
Projetado para um casal de portugueses que gosta de aproveitar as férias no Brasil, o jardim do paisagista Alex Sá Gomes ganhou uma ducha instalada em uma coluna de madeira protegida pelas sombras das árvores frutíferas. No piso, o pequeno quadrilátero recebeu pintura da mesma cor utilizada nas fachadas, cujo tom foi escolhido a dedo pelos moradores. O projeto arquitetônico é de David Bastos. |
 |
Esse espaço tem relação direta com o tipo de instalação hidráulica que será feita. Isso porque o chuveiro pode ser colocado tanto na parede quanto em colunas isoladas de madeira ou inox. As duas maneiras de construir têm diferenças e detalhes que devem ser levados em consideração. Quando a obra é feita diretamente na alvenaria, os tubos de PVC devem ter no mínimo 25 mm de diâmetro e ficar embutidos na parede. "Quanto maior for o diâmetro do tubo e a coluna d'água (distância entre a ducha e o reservatório), maior será a pressão. Também é importante deixar a conexão final de latão", ensina o engenheiro Luciano Schettini. Outra dica importante está no acabamento da parede. É comum haver pequenos vazamentos pelos registros, o que pode provocar infiltrações. Para não sofrer com esse tipo de problema, deve-se revestir a parede com peças de cerâmica - uma simples faixa de azulejos já é suficiente.
 |
Piso confortável
A ducha escolhida pelos arquitetos Edilson Campelo e Cristiane Pepe para a área externa da casa de um engenheiro e uma dentista possui formato quadrado, em harmonia com as linhas retas da construção. O piso cimentício da Castelatto é antiderrapante e atérmico, uma solução eficiente para áreas descobertas. A instalação de uma torneira mais baixa na parede facilita também na hora de banhar o filho pequeno do casal. O projeto de engenharia é de Luciano Schettini Barretto. |
As duchas montadas em colunas independentes, de madeira ou inox, exigem um sistema hidráulico diferenciado. As polegadas do cano são as mesmas, mas os tubos precisam passar pelo chão e depois subir pelos pilares. No acabamento, podem ficar aparentes ou ser instalados dentro dos próprios postes de sustentação, uma opção mais trabalhosa, mas que ajuda a deixar a ducha em harmonia com a arquitetura. Foi o que fez Flávia na ducha colocada em um poste de eucalipto roliço. "Fizemos um tamponamento. Retiramos o miolo do poste, passamos o tubo por dentro e depois fechamos novamente. Fica apenas o buraco do registro", comenta. A arquiteta ainda lembra que bases de madeira, como a que projetou, necessitam de impermeabilização e uma aplicação de verniz naval a cada dois anos, para impedir o apodrecimento. Postes de inox precisam apenas de limpeza periódica, assim como as próprias duchas.
Com naturalidade
O pequeno deque de madeira de reflorestamento colocado sobre o gramado dispensa a instalação de um ralo para o escoamento da água. No projeto do paisagista Marcelo Faisal, destaca- se ainda a coluna de eucalipto autoclavado para sustentação da ducha de cobre, uma solução totalmente integrada ao clima natural do quintal da casa. |
 |
O terceiro cuidado fica sob os pés, pois escolher o tipo de piso adequado é fundamental para garantir o máximo de conforto durante a chuveirada. Como são áreas externas, sujeitas a sol, chuva e poeira, os profissionais especializados são unânimes em indicar materiais antiderrapantes e atérmicos para evitar escorregões e queimaduras nos pés. Peças de cores claras retêm menos calor, mas são mais difíceis de limpar e devem ser evitadas em locais próximos a jardins ou com terra.
 |
Posição estratégica
A localização da ducha em uma coluna de eucalipto, projeto assinado pela arquiteta Flávia Ralston, é estratégica. Próxima à piscina, ela incentiva o uso contínuo pelos moradores e amigos. O encanamento passa por dentro da tora, fechada com tamponamento. O piso paginado é da Eliane e, no quadrado para banho, a profissional aproveitou pequenos cacos de mármore que haviam sobrado da obra. |
O local para colocação do ralo no chão deve ser calculado de acordo com a paginação do piso cerâmico e a preocupação de impedir os banhistas de pisarem sobre a grelha. Também é necessária uma inclinação mínima de, pelo menos, 2%. "O piso-ralo, que vai de uma ponta a outra, é muito mais moderno e bonito que o sistema convencional", sugere a arquiteta Silmara Salvetti. O tamanho do tubo para o escoamento também deve ser definido de acordo com a vazão e a pressão da água para evitar transbordamentos.
Design moderno
Instalada em uma coluna discreta de inox, a ducha Bambu, da Interbagno, possui um desenho mais moderno e diferenciado dos tradicionais panelões usados nas áreas externas. O modelo combina com construções contemporâneas. Instalada no jardim, com pedras no piso que facilitam o escoamento da água sem o uso de ralo, ela exige pouca manutenção e deve ser limpa com cera automotiva. |
 |
Por último, é preciso observar o conforto que será oferecido aos moradores com o posicionamento adequado da ducha e o tamanho da área para banho. Os chuveiros não podem ficar abaixo de 2,10 m e o quadrado no chão deve ter ao menos 0,80 x 0,80 m - essa área precisa ser maior à medida que a pressão da água aumenta.
 |
Ares de rusticidade
O projeto da arquitetra Silmara Salvetti criou uma atmosfera rústica no jardim de uma casa em São Paulo. A ducha de cobre envelhecido, "garimpada" em uma loja de materiais de demolição, foi colocada em uma tora de madeira recortada, que esconde a tubulação. No piso, o ladrilho hidráulico foi paginado e não precisou receber um ralo no meio, graças à instalação do piso-ralo (canaleta de 2 cm) que fica encostada na parede. Para cobrir a ducha, a arquiteta optou por uma placa de vidro revestida de bambu presa por mãos-francesas. |
Há quem prefira deixar a ducha com um clima mais natural, projetando- a em áreas ajardinadas. "Nesses casos, os melhores pisos são deques ou até mesmo pedras", aponta o paisagista Marcelo Faisal, lembrando ainda que áreas com essas características dispensam a instalação de drenos.